Gumes

Album cover art for "Gumes" by Mão Morta

Mão Morta - Pop, Em Português

Gumes

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Duration: 25:25

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Lyrics

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1 Na noite que se avizinha, um mar de gatos com cio invade os Sot�os, ensanguentando as mem�rias com a dor pungente dos dias Em que o gume, o terr�vel gume das horas afiadas, rasgava os Esp�ritos. J� o clar�o das ruas toldava os c�rebros com Ang�stias venenosas e vertigens de suic�dios sonhadores, na Vontade de fugir ao in�spito vazio do tempo da aus�ncia... 2 Ac��o! Isto � um assalto!... Todos de m�os no ar! N�o quero nem um gesto... Passa p'ra c� esse vil carcanhol Para irmos daqui sem funerais!... Anda homem ou �s um caracol?! N�o quero ficar aqui � espera dos maiorais... (Vai junto � porta ver se o caminho est� livre para a nossa Sa�da...) No ch�o! Quero toda a gente no ch�o... Assim!... Vamo-nos pirar!... J�! 3 Eu sou estas m�os que se fendem na areia como um velho pau A serpente que se arrasta o corpo em assaltos ao olho do cosmos Tudo vem a mim a escura escama dura dos monstros do fogo Um ventre de rei em corcel alado de freio nos dentes Flash A� est� Stanislau Belo como estrela do mar gigante em asilo de lepra A tirar a espinha �s horas Vem Vem Vem Flash Flores carn�voras passam sua l�ngua no ventre do lacrau Os seus l�bios grossos deixam escorrer o esperma quente Prova a minha orelha Prova o meu caix�o A morte ronda A vida cresce Floresce Flash Amanhece 4 Estou farto disto N�o posso mais Todos os dias Passam iguais Como um fantasma Com escorbuto Corro a cidade na busca de um xuto Speed ou heroa Coca ou morfina Tudo me serve Como vacina Desde que traga a santa narcotina Furam-me os ossos Caem-me os dentes Reflicto ao espelho sinais indigentes Mas o pavor � da ressaca e da dor J� desvairado Com tanta volta Sempre sem ver Poda ou recolta Fico em suores Vem-me a car�ncia Sinto-lhe a m�o sem qualquer clem�ncia Pica-me as pernas Prende-me as costas Fere-me os t�mpanos Em dores expostas No rito ansioso do co�ar das crostas N�o posso mais Tudo o que eu quero � ver-me livre deste ruim desespero Um caldo tal Que seja um ponto final 5 O rei mimado est� Feliz e sem rival E verte para mim Cem gotas de �gua e sal Aos saltos e pinotes Percorre agora o ch�o Mas p�ra p'ra lutar � vista de um drag�o Batuques e tambores Ilustram o combate sem d� Algu�m me afaga a l� Me puxa num tren� Me leva na manh� Do sol-e-d� Acordam os amores No reino da paix�o S�o elfos e duendes que Nos levam pela m�o As folhas s�o azuis O sol vermelho est� A relva sua e diz que A vida � um sof� p'ra gozar S�o monstros de cordel Hist�rias de encantar No espelho de Babel A festa n�o tem fim Volteia agora o vento E eu pe�o um gin 6 Vamos l� ent�o juntos recitar Este belo acordo que nos vai ligar Juro pela vida nunca me trair Juro pela vida sempre resistir Juro pela vida nunca obedecer A qualquer vontade fora do meu ser Juro pela vida sempre acreditar No poder sagrado que nos faz amar Juro pela vida sempre contrapor O valor da festa contra o t�dio em vigor Juro pela vida todo me entregar � paix�o do jogo do corpo e do criar Radical radical radical Hei-de ser no agir no pensar S� na luta h� festa s� na luta h� gozo Para ter um destino aventuroso Eis o Graal nosso Graal O mundo � nosso vamos a ele O mundo � nosso n�o h� que ter medo O mundo � nosso vamos com ele brincar 7 - Ouviste o que disse o aquecedor? - Como? - Repara na luz. Repara como muda de intensidade... Est� a dizer Qualquer coisa! - Mas isso � um aquecedor, n�o fala!!! - Shut!... N�o ouves o murm�rio?... Est� a dizer qualquer Coisa! - Mas isso � o barulho da electricidade a passar... - Shut!... Escuta!... - Deixa-te de tretas. Vamos embora! - N�o posso - N�o podes?!?... - Tenho de ficar ao p� da luz. Est� a querer dizer-me qualquer Coisa! � importante!... - Importante?!? Ainda acabas � na Casa Amarela a apanhar choques El�ctricos... - Pois eu acho que h� aqui uma entidade qualquer, um ser de Outra dimens�o, uma energia c�smica, a tentar estabelecer Contacto comigo... Repara no cintilar, nas pequeninas explos�es De luz... Isto n�o � electricidade! - N�o!... Isso n�o � electricidade... S�o miolos a fritar! - O qu�? - Disse que tens os miolos a fritar. Deve ser do calor... - Por acaso estou cheio de frio!... N�o queres ligar o Aquecedor? - Mas tens o aquecedor no m�ximo! Nem sei como n�o te queimas A� t�o perto... - Shut!... Escuta!... - Bom, vou-me embora! Depois conta-me o que te disse o ET... 8 Assomados, com o andar titubeante das v�timas da realidade Absoluta, desfalecemos em convuls�es de electrochoque no Turbilh�o da engrenagem triturante que nos transportou em Sucessivas oscila��es s�smicas para o apaziguamento da Indiferen�a e o amargo isolamento da solid�o. Nada � o que era Nada foi o que sonhamos, apenas vis�es esfumadas ao contacto da Mem�ria, apenas imprecisas impress�es de um tempo gasto pela Usura. Tivemos o mundo, fomos o mundo... Salve, cad�veres brancos da inoc�ncia! Salve, corpos belos do amor! Salve, feiticeiros da embriaguez permanente! Salve, magos da exist�ncia n�o fragment�ria! Salve, pederastas do desejo, junkies do caos, prisioneiros da Liberdade! Salve, irreprim�vel l�dico! Salve, criadores de vida, amantes da inf�ncia, viciados do Presente! Salve, orf�os perdidos! Salve! Salve! Salve!

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