Castelo Triste

Album cover art for "Castelo Triste" by Facção Central

Facção Central - Rap, Em Português

Castelo Triste

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Duration: 6:05

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Lyrics

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[Letra de "Castelo Triste" com Fac��o Central] [Verso 1: Eduardo] A�, Edu, eu preferia nem ter acordado Sonhei que eu era um jogador fazendo gol no est�dio Corria feito velocista atr�s da bola Sem precisar ser empurrado numa cadeira de rodas Nasci morto, como num romance de Agatha Christie Enclausurado no calabou�o do castelo triste S� se eu fosse Hitler em outra encarna��o Pra ter m�sculo atrofiado como condena��o Isso � pena pra estuprador, pol�tico filho da puta Pra gamb� que p�e flagrante no bolso da blusa � humilhante voc� me limpando, trocando minha roupa Me dando banho, comida, �gua na boca Os moleques da minha idade t�o de skate, no half Na roda de break, dando moinho do baile Enquanto abrem o suti� da namorada Eu com corpo com escara sonho com um colch�o d'�gua No meu anivers�rio estraguei a festa Me revoltou n�o ter for�a pra assoprar a vela Nem me equilibrar no carrinho de rolim� Deus deixou Pra ajudar minha m�e vendendo adesivo no metr� Queria ela ouvindo Roberto, e n�o o vigia do mercado "N�o incomoda os clientes pedindo trocado" Sa� da escola sem ler, sem saber multiplica��o Vencido pelo riso dos alunos que me olhavam como aberra��o [Refr�o: Jota Ariais] Jogue a �ltima flor N�o chora quando o caix�o partir � a ponte elevadi�a do Castelo Triste Se abaixando pra eu fugir [Verso 2: Eduardo] O mundo cultua a idolatria do corpo perfeito Joga no hospital psiqui�trico o humano com defeito Sem triagem, sele��o, diagn�stico Doente mental, f�sico, auditivo num dep�sito O vegetal com fralda geri�trica � descart�vel pra fam�lia Mas n�o seu cart�o da aposentadoria A�, cuz�o preconceituoso, Beethoven era surdo Stevie Wonder � cego e encanta o p�blico Depois de Einstein, o f�sico mais brilhante do planeta Stephen Hawking, o matem�tico preso numa cadeira Aqui te d�o no estacionamento espa�o reservado Mas n�o emprego pra comprar o carro adaptado Odiava ir na USP fazer hidroterapia O bus�o todo xingando enquanto a rampa subia Dia 26 de mar�o de 95 Queria esquartejar o roteirista do meu destino Porra, Deus, n�o tava bom eu na cama paral�tico? Tinha que levar minha m�e num ataque card�aco? N�o pude no est�dio empinar pipa, andar de moto At� pra p�r uma flor no caix�o me puseram no colo Qual que � a pegadinha, sou seu rato de laborat�rio? T� testando quanto um cora��o armazena de �dio? Bonnie n�o vive sem Clyde, nem o verso sem o poeta Romeu n�o vive sem Julieta, e eu n�o posso viver sem ela [Refr�o: Jota Ariais] Jogue a �ltima flor N�o chora quando o caix�o partir � a ponte elevadi�a do Castelo Triste Se abaixando pra eu fugir [Verso 3: Eduardo] Tosse com sangue, febre, inflama��o na garganta Edu, esquece o 192 e a porra da ambul�ncia Chega no PS, � soro e inala��o Liberam na madruga, e pra voltar sem bus�o? O estagi�rio que atende como cl�nico geral Receita pra leproso AS e Melhoral Ap�s seis tentativas, internado com pneumonia Edu de acompanhante dormiu no ch�o 20 dias Empres�rio quer sua marca l�der no com�rcio Anuncia no programa que ridiculariza o tetrapl�gico L�grima no audit�rio, sonoplastia que comove Apresentador melodram�tico, em vez de pr�tese ganha IBOPE Mano, vai na AACD antes do baque do mesclado V� quantos anos de fisioterapia por um passo V� quantas sess�es de fono por uma palavra Veja na Paraolimp�ada a supera��o pela medalha O Patinho Feio n�o virou cisne como no livro da biblioteca Morreu depois da alta, da neglig�ncia m�dica Pela primeira vez tratado sem discrimina��o Esperei 18 horas o rabec�o N�o chora, Edu, o c�u existe e eu t� feliz de ir pra l� Se n�o puder pisar nas nuvens, anjo tem asas pra voar Triste � quem fica entre preconceito, muletas, amputa��es S� n�o esquece de p�r no caix�o o agasalho da Gavi�es [Refr�o: Jota Ariais] Jogue a �ltima flor N�o chora quando o caix�o partir � a ponte elevadi�a do Castelo Triste Se abaixando pra eu fugir

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Credits

Writers
  • Eduardo Taddeo