O Navio Negreiro (Excerto)

Album cover art for "O Navio Negreiro (Excerto)" by Caetano Veloso

Caetano Veloso - Pop, Brasil

O Navio Negreiro (Excerto)

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Duration: 5:16

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Lyrics

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[Caetano Veloso] 'Stamos em pleno mar Era um sonho dantesco... o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho Em sangue a se banhar Tinir de ferros... estalar do a�oite... Legi�es de homens negros como a noite Horrendos a dan�ar... Negras mulheres, suspendendo �s tetas Magras crian�as, cujas bocas pretas Rega o sangue das m�es: Outras, mo�as... mas nuas, espantadas No turbilh�o de espectros arrastadas Em �nsia e m�goa v�s E ri-se a orquestra, ir�nica, estridente... E da ronda fant�stica a serpente Faz doudas espirais... Se o velho arqueja... se no ch�o resvala Ouvem-se gritos... o chicote estala E voam mais e mais... Presa dos elos de uma s� cadeia A multid�o faminta cambaleia E chora e dan�a ali! Um de raiva delira, outro enlouquece... Outro, que de mart�rios embrutece Cantando, geme e ri! No entanto o capit�o manda a manobra E ap�s, fitando o c�u que se desdobra T�o puro sobre o mar Diz do fumo entre os densos nevoeiros: "Vibrai rijo o chicote, marinheiros! Fazei-os mais dan�ar!..." E ri-se a orquestra ir�nica, estridente... E da ronda fant�stica a serpente Faz doudas espirais! Qual num sonho dantesco as sombras voam... Gritos, ais, maldi��es, preces ressoam! E ri-se Satanaz!... Senhor Deus dos desgra�ados! Dizei-me v�s, Senhor Deus! Se � loucura... se � verdade Tanto horror perante os c�us... � mar, por que n�o apagas Co'a esponja de tuas vagas De teu manto este borr�o?... Astros! noite! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tuf�o!... Quem s�o estes desgra�ados Que n�o encontram em v�s Mais que o rir calmo da turba Que excita a f�ria do algoz? Quem s�o?... Se a estrela se cala Se a vaga � pressa resvala Como um c�mplice fugaz Perante a noite confusa... Dize-o tu, severa musa Musa lib�rrima, audaz! [Maria Beth�nia] S�o os filhos do deserto Onde a terra esposa a luz Onde voa em campo aberto A tribo dos homens nus... S�o os guerreiros ousados Que com os tigres mosqueados Combatem na solid�o... Homens simples, fortes, bravos... Hoje m�seros escravos Sem ar, sem luz, sem raz�o... S�o mulheres desgra�adas Como Agar o foi tamb�m Que sedentas, alquebradas De longe... bem longe v�m... Trazendo com t�bios passos Filhos e algemas nos bra�os N'alma l�grimas e fel Como Agar sofrendo tanto Que nem o leite do pranto T�m que dar para Ismael... L� nas areias infindas Das palmeiras no pa�s Nasceram crian�as lindas Viveram mo�as gentis... Passa um dia a caravana Quando a virgem na cabana Cisma das noites nos v�us... ...Adeus! � cho�a do monte!... ...Adeus! palmeiras da fonte!... ...Adeus! amores... adeus!... [Caetano Veloso] Senhor Deus dos desgra�ados! Dizei-me v�s, Senhor Deus! Se eu deliro... ou se � verdade Tanto horror perante os c�us... � mar, por que n�o apagas Co'a esponja de tuas vagas De teu manto este borr�o? Astros! noite! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tuf�o!... E existe um povo que a bandeira empresta P'ra cobrir tanta inf�mia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira � esta Que impudente na g�vea tripudia?!... Sil�ncio!... Musa! chora, chora tanto Que o pavilh�o se lave no seu pranto... Auriverde pend�o de minha terra Que a brisa do Brasil beija e balan�a Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperan�a... Tu, que da liberdade ap�s a guerra Foste hasteado dos her�is na lan�a Antes te houvessem roto na batalha Que servires a um povo de mortalha!... Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu na vaga Como um �ris no p�lago profundo!... ...Mas � inf�mia demais... da et�rea plaga Levantai-vos, her�is do Novo Mundo... Andrada! Arranca este pend�o dos ares! Colombo! Fecha a porta de teus mares!

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Credits

Writers
  • Castro Alves