Tô Ouvindo Alguém Me Chamar

Racionais MC’s - Rap, Narrative Music
Tô Ouvindo Alguém Me Chamar
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Duration: 11:13
Lyrics
[Letra de "T� Ouvindo Algu�m Me Chamar"] [Verso 1: Mano Brown] (A� mano, o Guina mandou isso aqui pra voc�) T� ouvindo algu�m gritar meu nome Parece um mano meu, � voz de homem Eu n�o consigo ver quem me chama � tipo a voz do Guina N�o, n�o, n�o, o Guina t� em cana Ser�? Ouvi dizer que morreu, sei l� �ltima vez que eu o vi, eu lembro at� que eu n�o quis ir, ele foi Parceria forte aqui era n�s dois Louco, louco, louco e como era Cheirava pra caralho, (vixe) sem mis�ria Doido ponta firme Foi professor no crime Tamb�m maior sangue frio, n�o dava boi pra ningu�m (Hamm...) Puta aquele mano era foda S� moto nervosa S� mina da hora S� roupa da moda Deu uma p� de blusa pra mim Naquela fita na butique do Itaim Mas sem essa de serm�o, mano, eu tamb�m quero ser assim Vida de ladr�o, n�o � t�o ruim Pensei, entrei, no outro assalto pulei, pronto A� o Guina deu m� ponto [Interl�dio] - A� � um assalto, todo mundo pro ch�o, pro ch�o! - A� filho da puta, aqui ningu�m t� de brincadeira n�o! - Mais eu ofere�o o cofre mano, o cofre, o cofre! - Vamo l� que o bicho vai pegar! [Verso 2: Mano Brown] Pela primeira vez vi o sistema aos meu p�s Apavorei, desempenho nota dez Dinheiro na m�o, o cofre j� tava aberto O seguran�a tentou ser mais esperto, ent�o Foi defender o patrim�nio do playboy, cuz�o. (tiros) N�o vai dar mais pra ser super-her�i Se o seguro vai cobrir (hehe), foda-se, e da�? Huh, O Guina n�o tinha d� Se reagir, bum, vira p� Sinto a garganta ressecada E a minha vida escorrer pela escada Mas se eu sair daqui, eu vou mudar [Refr�o] Eu t� ouvindo algu�m me chamar Eu t� ouvindo algu�m me chamar [Verso 3: Mano Brown] Tinha um maluco l� na rua de tr�s Que tava com moral at� demais Ladr�o, ladr�o, e dos bons Especialista em invadir mans�o Comprava brinquedo a reveria Chamava a molecada e distribu�a Sempre que eu via ele tava s� O cara � gente fina, mas eu sou melhor Eu aqui na pior, ele tem o que eu quero Joia escondida e uma 380 Num desbaratino, ele at� se crescia Se p�, ignorava at� que eu existia Tem um brilho na janela, � ent�o A bola da vez t� vendo televis�o (Psiu... Vamo, vai, entramo) Guina no port�o, eu e mais um mano (Como � que �, neguinho?) Humm... Se dirigia a mim, e ria, ria, como se eu n�o fosse nada Ria, como fosse ter virada Estava em jogo, meu nome e atitude (tiros) Era uma vez Robin Hood Fulano sangue ruim, caiu de olho aberto Tipo me olhando, �, me jurando Eu tava bem de perto e acertei os seis O Guina foi e deu mais tr�s Lembro que um dia o Guina me falou Que n�o sabia bem o que era amor Falava quando era crian�a Uma mistura de �dio, frustra��o e dor De como era humilhante ir pra escola Usando a roupa dada de esmola De ter um pai in�til, digno de d� Mais um b�bado, filho da puta e s� Sempre a mesma merda, todo dia igual Sem feliz anivers�rio, P�scoa ou Natal Longe dos cadernos, bem depois A primeira mulher e o 22 Prestou vestibular no assalto do bus�o Numa ag�ncia banc�ria se formou ladr�o N�o, n�o se sente mais inferior A� neguinho, agora eu tenho o meu valor Guina, eu tinha m� admira��o, � Considerava mais do que meu pr�prio irm�o, � Ele tinha um certo dom pra comandar Tipo, linha de frente em qualquer lugar Tipo, condi��o de ocupar um cargo bom e tal Talvez em uma multinacional � foda; pensando bem, que desperd�cio Aqui na �rea acontece muito disso Intelig�ncia e personalidade Mofando atr�s da porra de uma grade Eu s� queria ter moral e mais nada Mostrar pro meu irm�o Pros cara da quebrada Uma caranga e uma mina de esquema Algum dinheiro resolvia o meu problema O que que eu t� fazendo aqui? Meu t�nis sujo de sangue, aquele cara no ch�o Uma crian�a chorando e eu com um rev�lver na m�o Ou era um quadro do terror, e eu que fui ao autor Agora � tarde, eu j� n�o podia mais Parar com tudo, nem tentar voltar atr�s Mas no fundo, mano, eu sabia Que essa porra ia zoar minha vida um dia Me olhei no espelho e n�o reconheci Estava enlouquecendo, n�o podia mais dormir Preciso ir at� o fim Ser� que Deus ainda olha pra mim? Eu sonho toda madrugada Com crian�a chorando e algu�m dando risada N�o confiava nem na minha pr�pria sombra Mas segurava a minha onda Sonhei que uma mulher me falou, eu n�o sei o lugar Que um conhecido meu (quem?) ia me matar Precisava acalmar a adrenalina Precisava parar com a coca�na N�o t� sentindo meu bra�o Nem me mexer da cintura pra baixo Ningu�m na multid�o vem me ajudar Que sede da porra, eu preciso respirar Cad� meu irm�o? [Refr�o] Eu t� ouvindo algu�m me chamar [Verso 4: Mano Brown] Nunca mais vi meu irm�o Diz que ele pergunta de mim, n�o sei n�o A gente nunca teve muito a ver Outra ideia, outro rol� Os maluco l� do bairro J� falava de rev�lver, droga, carro Pela janela da classe, eu olhava l� fora A rua me atra�a mais do que a escola Fiz dezessete, tinha que sobreviver Agora eu era um homem, tinha que correr No mund�o, voc� vale o que tem Eu n�o podia contar com ningu�m Cuz�o, fica voc� com seu sonho de doutor Quando acordar c� me avisa, mor�? Eu e meu irm�o, era como �leo e �gua Quando eu sa� de casa, trouxe muita m�goa Isso a mais ou menos seis anos atr�s Porra, m� saudade do meu pai! Me chamaram pra roubar um posto Eu tava duro, era m�s de agosto Mais ou menos tr�s e meia, � luz do dia Tudo f�cil demais, s� tinha um vigia N�o sei, n�o deu tempo, eu n�o vi, ningu�m viu Atiraram na gente, o moleque caiu Prometi pra mim mesmo, era a �ltima vez Porra, ele s� tinha dezesseis N�o, n�o, n�o, t� afim de parar Mudar de vida, ir pra outro lugar Um emprego decente, sei l� Talvez eu volte a estudar Dormir � noite era dif�cil pra mim Medo, pensamento ruim Ainda ou�o gargalhadas, choro e vozes A noite era longa, m� neurose Tem uns malucos atr�s de mim Qual que �? Eu nem sei Diz que o Guina t� em cana e eu que caguetei Logo quem, logo eu, olha s�, � Que sempre segurei os B.O N�o, eu n�o sou bobo, eu sei qual � que �! Mas eu n�o t� com esse dinheiro que os cara quer Maior que o medo, o que eu tinha era decep��o A tra�ragem, a pilantragem, a trai��o Meus aliado, meus mano, meus parceiro Querendo me matar por dinheiro Vivi sete anos em v�o Tudo que eu acreditava n�o tem mais raz�o, n�o Meu sobrinho nasceu Diz que o rosto dele � parecido com o meu �, diz, um pivete eu sempre quis Meu irm�o merece ser feliz Deve estar a essa altura Bem perto de fazer a formatura Acho que � Direito, advocacia Acho que era isso que ele queria Sinceramente, eu me sinto feliz Gra�as a Deus, n�o fez o que eu fiz Minha finada m�e, proteja o seu menino O Diabo agora guia o meu destino Se o J�ri for generoso comigo Quinze anos pra cada latroc�nio Sem dinheiro pra me defender Homem morto, cagueta, sem ser Que se foda, deixa acontecer N�o h� mais nada a fazer Essa noite eu resolvi sair Tava calor demais, n�o dava pra dormir Ia levar meu canh�o, sei l�, decidi que n�o � rapidinho, n�o tem precis�o Muita crian�a, pouco carro, vou tomar um ar Acabou meu cigarro, vou at� o bar (E a�, como � que �, e aquela l� �?) T� devagar, t� devagar Tem uns baratos que n�o d� pra perceber Que tem m� valor e voc� n�o v� Uma p� de �rvore na pra�a, as crian�as na rua O vento fresco na cara, as estrela, a lua Dez minutos atr�s, foi como uma premoni��o Dois moleque caminharam em minha dire��o N�o vou correr, eu sei do que se trata Se � isso que eles querem Ent�o vem, me mata Disse algum barato pra mim que eu n�o escutei Eu conhecia aquela arma, � do Guina, eu sei Uma 380 prateada, que eu mesmo dei Um moleque novato com a cara assustada (A� mano, o Guina mandou isso aqui pra voc�!) Mas depois do quarto tiro eu n�o vi mais nada Sinto a roupa grudada no corpo Eu quero viver, n�o posso estar morto Mas se eu sair daqui eu vou mudar Eu t� ouvindo algu�m me chamar
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Credits
- Writers
- Mano Brown