ESTOURADA

Lyrics
[Fado Bicha] Nós, do fado abichanado Somos touro e viado Do chão, levantado Feroz e armado De canções, um punhado Manifesto, advogado Até que o último touro ao prado Seja roubado P'ra ser torturado Não é bailado, sonata ou trinado É fantasma do passado Cruel, dissimulado Um lindo massacre ornado De cultura disfarçado Tristes carrascos de traje floreado Proletário brasonado Com o aval do bom prelado O casto e o encarnado Cada hóstia, seu ditado O aval do bom prelado O casto e o encarnado Toda a hóstia é só ditado [Symone de lá Dragma] Não é gado Não é gado Mas que povo Mas que Estado? [Fado Bicha] Queremos o touro respeitado Nem toureiro nem forcado Pegado, atado, largado, garraiado Não é gado É um animal assustado Perdido, acossado Ferido, aviltado Para gáudio do povo usado Mas que povo? Mas que Estado? Perdido, acossado Ferido, aviltado Para gáudio do povo usado Mas que povo? Mas que Estado? [Symone de lá Dragma] Não é gado Não é gado Mas que povo Mas que Estado? E é este o nosso brado O nosso veemente recado Nada, nada, nada disto é fado Nem tem futuro No condado [Fado Bicha] Fora da arena, depauperado O touro tomba, como combinado E o público desassossegado Sem sentido figurado Urra, torpe e, já expiado Chama bravo a este legado Este despojo do patriarcado Violento, deliberado Um artifício orquestrado De poder sobre um sacrificado Tudo a ser repensado Opomo-nos ao primado Do dominador, do dominado E depomos o reinado Do homem-deus sagrado Coitado, coitado Frágil macho ritualizado Protegido num noivado De conquista e mercado Nesse velho império malvado Do controlo e do privado Colónia, ouro, bispado Propriedade e pecado Propriedade e pecado Pisado, rachado, queimado De Barrancos ao Chiado Pisado, rachado, queimado De Barrancos ao Chiado Pisado, rachado, queimado De Barrancos ao Chiado
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