A Casa dos Quadros

Lyrics
[Letra de "A casa dos quadros"] [Verso 1: Each1 & Chek1] A porta abriu sem que eu batesse Instintivamente entrei l� dentro Estava escuro, mas por pouco tempoeele sabia Havia uminterruptor no corredor da frente Por tr�sdo arm�rio junto � parede Sob o lado esquerdo Depois de acender a luz O cheiro a p� tornou-se menos intenso E � medida que caminhava Transformava-se num diferente Aproximou-se do que julgou ser diluente, calmamente Por entre arm�rios gastos pelo tempo Estes objetos embalsamados Cadernos arquivados, espalhados S�o Demasiados para serem contados E os m�veis eram t�o altos E o c�u parecia mais baixo Havia espelhos partidos E o meu reflexo aos peda�os Mas num intacto, a imagem N�o acompanha o movimento dos meus bra�os Pouco depois percebeu Que n�o apontava para mim, mas sim para um quadro Onde ele estava pintado, naquele momento exato Se nem ele sabia que ia estar neste quarto Tinha chegado antes da tinta ter secado Ningu�m saiu antes de eu ter entrado Haveria mais algu�m consigo? H� mais algu�m comigo Voltou por onde tinha vindo e contornou os livros E estranhamente estava noutro s�tio A estrutura tornou-se num precip�cio Long�nquo como os limites da ponte Nenhum dos dois me � n�tido As t�buas rangeram, fr�geis de mais para o prop�sito que tinham Pousou os p�s e eram ainda piores do que pareceram Era como se aquela ponte insistisse em oscilar constantemente Dobrando-se sobre si mesma Amea�ando partir-se O vento ignorava-o como os p�ssaros em torno das montanhas Essas depois do abismo que se estende abaixo dos seus p�s O extremo mais alto culminava num jardim Ermo como S�rgio se sentia As mem�rias caem em c�rculos como as folhas que o rodeiam Eu j� estaria do outro lado se os ramos n�o me puxassem Eram tantos que n�o dava para afast�-los Sem que se multiplicassem Os espinhos cravam-se na cabe�a t�o profundos Como os pensamentos E ao tir�-los � como se mos arrancassem Insistiam em mant�-lo preso Adaptando-se aos meus movimentos H� um banco de cimento por tr�s dos arvoredos T�o densos Nem me apercebo Quando l� chego � que sento naquelas folhas verdes Contrastavam num jardim cinzento E os olhos demoraram a adaptar-se ao ambiente As plantas fazem padr�es evidentes Como que a dizer para seguir um deles Foi quando o encontrou Aproximou-se a imagem Demorou a assimilar E pela express�o na sua face, tu ficaste tal como eu estou Era inevit�vel falarem-lhe do que se passou antes de tudo Para perceberes que n�o te culpo Antes que mudes de assunto Ou antes que eu mude Jos� manteve-se mudo, S�rgio falava tudo O que acumulara desde a �ltima vez juntos E o restaurante talvez fosse a �nica coisa que tinha Porque ao perd�-lo, perdi todas as coisas que tinha Bem me avisaste que a Paula parecia um pouco iludida Sem que fosses capaz de perceber que eu 'tava mais ainda A culpa � minha Que eu nem ouvia o pouco que dizias S� quando te afastaste � que vi a falta que me fazias Acho que n�o teria percebido mesmo que me explicasses Nem que me colocasse do teu lado E olhasse para o que tu vias Despediste-te, pouco depois, ela engravida Se j� soubesses isso, naquele dia, ficavas ou sa�as? Tinha passado a tarde toda a olhar p'o quadro Ali sentado, come�ava a duvidar daquilo que havia imaginado Colocava a hip�tese de existir um significado Ou mais pinturas com o intuito de explicarem algo Vi um buraco, aproximou-se Baixou-se, j� tinha entrado l� dentro Quase consigo tocar no escuro por ser t�o denso Foi ficando mais frio � medida que se ia perdendo Se houver sinais, dificilmente vou conseguir encontr�-los A dado momento, ouviu ser chamado Pelo cheiro a diluente Seguiu as vozes at� as ouvir nitidamente Tinha chegado antes da tinta ter secado Ningu�m saiu antes de ele ter entrado E ao toc�-lo, pintou os bra�os Tenho que ter cuidado, lev�-lo-ia l� para fora Contornei o primeiro obst�culo Os pr�ximos levariam horas O escuro leva-me sempre ao mesmo s�tio � a segunda vez que passo pelo meu cheiro a mijo Quase o piso Ao entrar em desequil�brio Havia o peda�o que me faltava Havia guardado os outros Tr�s passos atr�s do s�tio onde estava Passaram a quatro, imaginou o s�tio Eu sei que 'tou mais perto de encontr�-lo Ao pisar algo menos s�lido do que as outras pedras Quando fletiu as pernas A textura parecia suja com terra Mas sem a forma certa Voltou p'a tr�s Contei os passos Juntou as pe�as Gradualmente, o cinzento foi-se transformando em verdes No que parecia ser um novo jardim � volta dele Ia crescendo, percetivelmente Como se consequente do seu comportamento Tavas com aquele ar de indiferente e com a cara do costume Como se tivesses sido este quadro a vida toda E agora assumes Ao falar contigo sozinho tamb�m eu me sinto um Tinham-se conhecido num domingo Em que trabalharam juntos Ela chegou 15 minutos antes para aprender a mexer na caixa E conhecer os pratos do restaurante Vinha elegante, sem se exibir Sem se inibir Fazias mais do que eu podia exigir Ao ir e vir das mesas Olhava para ti Mas n�o era �nico Dias ap�s os ci�mes tornaram-se l�cidos em mim A rela��o entre Jos� e Paula parecia-lhe Ser mais do que era Acabou por perceber o qu�o amigos eram � medida que se aproximou dela Afastou essas ideias H� coisas que n�o se ponderam E ali est�vamos n�s na mesma casa O mesmo quarto, a mesma cama Juras que n�o me enganas? Ambos o disseram v�rias vezes As semanas passaram a meses E eu pare�o sentir Tudo a converter-se em desinteresse Naquele dia Eu s� 'tava a tentar dizer-te adeus Mas n�o fui a tempo Tu interrompeste como me fazias sempre H� muito que n�o lhe falava t�o docilmente Parecias ter alguma coisa a esconder-me J� h� alguns meses Ela guardou os pensamentos At� que o primeiro escorresse pelo rosto E em momentos recomp�s-se Aproximou-se e disse "� uma menina, sen�o teria o teu nome" S�rgio afastou-se de Paula e sentou-se no jardim [Interl�dio: Each1] Decidiu amarrar os quadros e lev�-los consigo [Verso 2: Each1 & Chek1] Havia desaparecido a ponte por onde tinha vindo Ao entrar em casa algu�m tinha arrumado os livros E havia portas que ele n�o tinha visto Algumas nunca tinham existido N�o obstante, [leva o montante?] j� tinha ido Parei ap�s ter insistido Depois disso, decidiu-se A n�o levar os quadros comigo Se n�o fosse o cansa�o Nunca os teria deixado aos dois sozinhos E ao sair pela porta Entrei de novo naquele quarto Onde s� tava um quadro que n�o tinha trazido Qual o motivo? Quem seria? S�rgio ficou pensativo Tiro conclus�es sem sentido E em nenhuma delas Eug�nia se inseria Como seria Se continuassem os dias em que n�o aparecias N�o avisava Nem atendias Davas desculpas esfarrapadas como a farda que trazias Se queres que te diga, Eug�nia As coisas corriam melhor quando n�o vinhas Para al�m de n�o te pagar N�o havia lou�a partida Lavavas menos pratos que os cigarros que acendias Sempre tiveste um hor�rio, mas raramente o cumprias Nunca chegaste �s quatro, contudo �s dez em ponto sa�as As duas personagens pareciam n�o tolerar-se entre si Mas n�o podiam evitar-se Porque ignoravas, Paula? Quis perguntar As mem�rias respondiam-me o que eu sempre vi E agora que penso Come�ou a lembrar-se Do que estava escondido Dentro de mim Com esta possibilidade abriram-se novas portas E eu sa� por elas � paisagem adaptavam-se as suas lembran�as Da mesma forma que o jardim ficou verde Outras pinturas onde ele podia entrar, se tentasse, apareciam E havia mais do que se viam O ouvinte ter� que ter em conta Que a cada recorda��o corresponde uma moldura E que naquela sala se encontravam todas juntas As divis�es na casa organizam-se Numa ordem de import�ncia an�loga � profundidade dos pensamentos de S�rgio Todo o percurso at� ao momento Simboliza as diferentes sensa��es que tinha Para com as personagens E cada vez nos encontr�mos mais longe da superf�cie (10 meses antes) N�o me demorei assim tanto no advogado No entanto com o tr�nsito Passava o antigo mercado Em dire��o � Foz erguiam-se casas em mau estado Tal como temos estado O telefone chamava e tu fingiste Porque eu sei que ouviste Ainda assim insiste E extendo a velocidade e todos os nossos limites Quando chegou as luzes estavam apagadas As velas expostas induziam que algu�m j� l� estava Pareceu-lhe ter ouvido Eug�nia ao descer as escadas Ficou convicto disso depois de as ter descido Os ru�dos confirmaram Mas algo n�o 'tava certo Enquanto se aproximava Ouvi-os a fazer sexo, os meus passos denunciaram-me Bati � porta e respondeu Jos�
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