Sem Final Feliz

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DK47 - Rap, Conscious Rap

Sem Final Feliz

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Lyrics

[Letra de "Sem Final Feliz"] [Intro] 10 de agosto de 1989 Uma e meia da tarde, ouvi um rugido no hospital Com 3quiloe 800 gramaagarrado na sua mama Uau, nasceu umle�o Demais pra esse orbital Roupa estendida no varal, sem grana pra enxoval Assist�ncia ou pr�-natal, trabalhou nove meses de barriga, descia a p� o beco da mina Trazer doa��o na pastoral Entre a morte e a vida, o bem e o mal Os anjos deram aval Seja bem-vindo ao inferno astral Num parto a v�cuo minha m�e quase morreu no quarto Algo t� dando errado, m�dico preocupado Qualquer erro � fatal Predestinado a vingar onde � tr�gico o final Quase todos s�o igual, nada mais especial Filho do ex-presidi�rio? Normal Era um merda dentro de casa e respeitado no bairro, letal Virou chefe da coca�na, deixava o morro sem briga Ningu�m roubava mais na bica e se tu agarrasse uma mina, era certo o funeral Ficava de exemplo pra n�o fazer igual Isso � baseado em fato real [Verso 1] Tenho que primeiro falar da raiz N�o d� pra contar hist�ria de tr�s pra frente Eu sei que na vida nem tudo s�o flores Mas tudo nela sempre foi semente Imagina tu olhar uma menina inocente Levar o rapaz pra namorar em casa E o pai racista dizer chei' de �dio Que n�o aceita um preto no sof� da sala Jogou suas roupa toda na fogueira Deu gargalhada enquanto queimava Foi na sua gaveta, sacou uma arma Correu atr�s da mo�a com ela engatilhada Novinha, sozinha e desesperada Tinha sido acolhida na casa de uma amiga Que morava junto com um desgra�ado Que abusou dela pela madrugada Aos 14 ano' ela tava gr�vida 15 de idade j� tava casada E esse filha da puta pra encontrar a amante Deixou a garota dois dia' trancada Terceiro filho ela j� t� cansada Ser maltratada por coisa sem nexo, � Por qu� que pra eu sair de casa Eu sou obrigado a ter que fazer sexo? Solteira, sustenta suas cria' Limpando privada em casa de fam�lia O pai nunca deu pens�o aliment�cia E nem das crian�a ele perguntava O tempo passou, se viu apaixonada Sem perceber, de novo ajuntada Repetia a sina de quando menina Que s� atra�a quem n�o vale nada �guas passadas que deixaram marcas Vida � uma fita que n�o rebobina Se eu te contar, tu diz que � mentira Parece at� que essa hist�ria � minha [Refr�o] Esse filme foi eu mermo que atuei Essa cena eu mermo que dirigi O cartaz foi eu mermo que colei Sem final feliz, sem final feliz O cen�rio foi eu mermo que montei Quando abaixou a cortina, eu sofri � que Deus s� me deu papel em branco E o roteiro foi eu mermo que escrevi [Verso 2] V�rios esculacho' eu vi desde novo Meus irm�os sofreram na m�o de um padrasto Comendo calado seu arroz com ovo Meu pai com um bife do tamanho do prato Falei pra minhas tia que eu n�o entendia Por qu� que eu era privilegiado Hoje n�s s� vamo' parar pra almo�ar Quando dividir por igual os peda�o Fomo' convidado pra um anivers�rio S� que meus irm�o n�o tinha um cal�ado Ficaram em casa chorando trancado Pediu pra eu s� n�o esquecer do salgado Odiava usar roupa da doa��o Mas pra ir nessa festa vai ser necess�rio Prometi levar bolo pros meus irm�o' Porque n�s j� tava sem nada no arm�rio No fundo do po�o � s� sangue no olho Queria ter as coisa igual os outros garoto' Vi meu barraquinho que era de madeira Minha m�e levantar tijolo por tijolo Se tu reclamar de lavar essa lou�a Vai entrar na porrada e ainda ouvir do esporro A panela t� suja, tem que agradecer Porque hoje n�s tinha que comer no almo�o Nem pensava em tr�fico, andava no morro Junto com meus primo tacando o terror N�s batia bafo, n�s batia Tazo Nenhum de n�s batia em professor Sem celular e sem computador Entupido de salgadinho de isopor Da inf�ncia descal�o no campin' de terra Num piscar de olho j� tudo mudou Tava no est�dio, meu telefone tocou Fica atento que a carga vai chegar em cinco hora Bate um fio do matuto que j� at� me confirmou O Uber t� saindo do RJ em meia hora O menor vai te esperar ali na sa�da da creche S� n�o esquece de levar nosso material de endola Os morador sempre te v� ali buscando sua filha D� o dinheiro, pega os quilo', entra no carro e vai embora Conselho de m�e � coisa que n�o se ignora Desculpa o seu filho dar desgosto pra senhora Entraram na minha mente, muito dinheiro na frente Moto nova, eu de marola, na garupa uma gostosa Na terceira s�rie tu abandonou a escola Meu av� te obrigava a ter que ralar em obra Com um exemplo de mulher guerreira desse dentro de casa Ainda fui pra madrugada de cromada vender droga 4:40 entrei dentro do Corolla 380, n�o saio sem minha pistola Eu que sempre paro o carro na porta da creche Hoje decidi parar na vaga da birosca Vi um cara careca de camisa social Volume na cintura, usando pochete e bota O menor t� assustado, parece me dar um sinal Pelo gesto que ele fez, acho melhor eu sair fora Entrei dentro da creche, peguei minha filha no colo Quando eu olhei pra tr�s, o pol�cia tava na porta Subi a escada correndo, lembro de ouvir um barulho Quando eu fui pular o muro, senti o impacto nas costas O que eu vou fazer agora? S� lembro de cair abra�ado com a minha filha Todo algemado na sala de cirurgia Meio tonto, deve ser anestesia Doutor disse que eu nunca mais vou andar Nesse momento, o verme do lado ria Tinha uma bala na minha coluna lombar Numa troca de tiro com a pol�cia Se eu n�o tivesse desligado o celular E n�o ficasse no est�dio aquele dia O filme se repetia E o final dessa hist�ria poderia ser a minha

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