Sonhei Que No Meu Bairro

Album cover art for "Sonhei Que No Meu Bairro" by Chullage

Chullage - Rap, Hip-Hop Tuga

Sonhei Que No Meu Bairro

2 Plays

Duration: 5:15

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Lyrics

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[Verso 1] Aqui onde crescemos, que vamos criar os nossos beb�s? Entre as ruinas das f�bricas onde s� sobram chamin�s Onde o com�rcio e os servi�os j� tiraram estamin�s N�o se v� o posto fronteiri�o, mas h� uma linha que lhes protege Nem preto, nem mesti�o, � tudo merda pra quem nos rege De quatro em quatro anos falam disso E depois cagam p'ra quem lhes elege Onde a CMTV chupa sangue p'a encher os rodap�s A ACM s� v� onde h� sangue p'a chupar o dinheiro da UE Igrejas ao desbarato espalham boatos na nossa f� Projetos sociais em aparato, controlam pretos e cal�s Cidadania que se restringe, s� h� quem nasce com pele beje Que ao fim do dia dan�a e finge que at� gosta da nossa tez E cada crise que nos atinge, 't�s mais � rasca, mais r�s-v�s Cada gera��o que chega aos 15, sai da casca mais ereste Sem bibliotecas nem jardins, s� vejo tascas e caf�s Produtos com r�tulo mandarim, merceeiros do Bangladesh Restam placards e boletins de Euromilh�es, sonhar bu�s E sixteen bars s�o trampolins, fazer can��es que d�o cach�s Pegar na bola, partir rijo, sonhar em ter o nome no PES Mas cora��es viram ruinas quando s� come um em cada dez P�zinhos perlimpimpim, pilim no fim, 't�s dentro a cumprir dez N�o se olha a meios para chegar a fins Confins que o centro deu com os p�s da pir�mide da esfinge Viemos parar no sub-p�s da pir�mide social Onde o que tens dita o que tu �s [Refr�o] Sonhei que no meu bairro �amos montar um quilombo Acordei com um tombo Sonhei que no meu bairro �amos matar o Colombo Acordei com um tombo Afinal esta � uma jaula onde puseram um le�o Ensinaram-lhe a ter orgulho na sua pr�pria pris�o O ambiente � uma jaula onde puseram um le�o P'a levar vida de c�o [Verso 2] Dormit�rio, observat�rio de servi�ais, uma senzala Onde o leigo diz que somos iguais, n�o nos iguala Inquilinos t�m estatuto de preso e rei na bala Condenaste a terra ao chuto, desprezo no meio de uma ala Neste regime de trabalho for�ado que escraviza com um sal�rio Regime de consumo for�ado que hostiliza quem n�o tem sal�rio � merc� dos cart�is, do ramo imobili�rio Depois tiram de onde querem hot�is num derrame comunit�rio Contentores do desespero, pris�es da mis�ria Expulsos do cora��o da cidade, reclusos nas art�rias Sem voto na mat�ria, vistos como dem�nios Por quem faz dos nossos corpos o seu despojo e patrim�nio Onde brothers s�o rivais com base em c�digos postais E abrem buracos letais em filhos enterrados pelos pais A defender localidades em vez de defender os locais Mas 'tamos todos no me'mo barco, vai vender-nos no cais [Refr�o] Sonhei que no meu bairro �amos montar um quilombo Acordei com um tombo Sonhei que no meu bairro �amos matar o Colombo Acordei [Verso 3] Caminhos aqui n�o v�o a Roma, mais r�pido v�o a Sodoma 'T� no aroma, este lugar � feito com sangue N�o pises aqui se n�o tens est�mago Aroma dos corpos fechados no por�o, a que soma Aroma do caf� e algod�o, a que soma Aroma de WC e do bet�o, a que soma O �dio pelo preto, branco, pobre, e um roma, e que soma � como ser marcado com a ferro quente logo no cromossoma A minha m�e queria que eu chegasse a casa com um diploma Cheguei a casa com um hematoma N'kria chiga na casa pa flan: "Mam�, nha toma" Um dia n'ka chiga na casa, pol�cia txoma Este bairro que faz manchete, encheu de votos o vereador Este bairro que faz manchete, encheu os bolsos a um construtor Este bairro que faz manchete, encheu a barriga ao mediador Mas esta casa em tijolo de sete, no inverno j� tem bolor Na tempo frio n'ta paga 200 euro de aquecedor Pa senhorio, mi � praga, estrangeiro ka morador Ku graffiti [?], arranjava os canos e o elevador E neste s�tio a vossa pena causa mais danos, mais dor [Verso 4] Achas que � coincid�ncia onde foste realojado Com vento forte, a viol�ncia, um aterro sanit�rio ao lado A super esquadra, autoestrada cheia de mon�xido de carbono A recolha de lixo atrasado e os canteiros ao abandono P'ra onde fica a siderurgia ou a f�brica de adubos? L� onde n�o sabes se � mesmo �gua aquilo que te sai dos tubos S� sabes que circulam t�xicos no ar e nas nuvens E tu tens de pagar 20 euros cada vez que tu vens ao hospital Mais 10 pelos transportes ou morres em casa neste in�spito vale Com alta incid�ncia de cancro, diabetes, asma, e bronquite N�o � coincid�ncia, v� onde fica a nossa street N�o � coincid�ncia que antes moravas perto de comboios e autocarros E agora moras onde s� saem aqueles que t�m carros E autocarros passam cheios de hora a hora e com demoras Tu tens de sair duas horas antes p'a chegares no bules a horas Mas chegar no bules agora, � o privil�gio de uma minoria Por cada vez, mais novos 't�o encostados a ver passar o dia Fim do dia s�o encostados e acabam no ch�o com hemorragia Qualquer semelhan�a com uma pris�o, n�o � fic��o, � fantasia [Refr�o] Sonhei que no meu bairro �amos montar um quilombo Acordei com um tombo Sonhei que no meu bairro �amos matar o Colombo Acordei com um tombo Sonhei que no meu bairro �amos montar um quilombo Acordei com um tombo Sonhei que no meu bairro �amos matar o Colombo Acordei [Verso 5] Onde afundam os supermercados baratos O sal, a gordura, a��car, hidratos Onde h� o genoc�dio com os mesmos nitrados O que puseram nas bombas, hoje p�em nos pratos Hormonas, bact�rias, carnificina Esteriliza��es, antibi�ticos, vacinas A escola elimina brothers do curr�culo Ficas, mas s� quando passas de ciclo Mis�ria, descren�a, inveja, disc�rdia, pedras, �lcool, puta mix�rdia Jogos, apostas, s�o miseric�rdia �dio arrasa a esperan�a e fode-a Mas o ghetto s� vence quando a comunidade deixou de se amar E perde o afeto na rua, no pr�dio reina a crueldade J� n�o h� lar, ficou s� um teto Ghetto s� vence quando a comunidade deixou de se amar E perde o afeto na rua, no pr�dio reina a crueldade J� n�o h� lar, ficou s� um teto

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