Pode Estar A Acontecer (1,2 e 3)

Bob Da Rage Sense - Rap, Angola
Pode Estar A Acontecer (1,2 e 3)
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Duration: 5:47
Lyrics
[Letra de "Pode Estar A Acontecer (1, 2 E 3)"] [Verso 1] Nunca o quis mas a situa��o a isso obrigou Aguerra civil a mil estoirou, a vida piorou Uma mulher gr�vida de Angola bazou Doeu mas p'ra t�o falada tuga imigrou Desta vez tudo vai ser diferente, pensou A luta continua, ou seja, uma nova luta come�ou Deixou tudo p'a tr�s, o marido ficou na terra E nem sabe se ainda sobrevive na guerra Sem suporte durante a gravidez, quase que perdeu a lucidez P'ra quem supera a prova dos nove supera a dos dez Um beb� luso-africano nasceu, o nome Pedro deu P'ra nada lhe lembrar a terra em que ela nasceu Quase do nada, a custa de muito suor o puto cresceu Mas sabem como � a tuga, ele n�o floresceu As condi��es estavam mal Com a cota a bumbar na casa d'uma pula at� a matar P'ra seu puto e outros que entretanto apareceram alimentar Ouviu muita merda, nem sabe como foi capaz de aguentar Na escola, Pedro s� conheceu pux�es de orelhas de professoras catalogadoras e velhas Os colegas gozavam: "Oh! preto que fugiu de Angola" "Preto vai p'ra tua terra! vai fintar minas em Angola! hehe" Com uma tanga a tapar-te o sexo Assim nasce num afro-portugu�s o complexo No secund�rio o pretinho, adolescente cresceu Em muito pula bateu e tornou-se famoso Estava orgulhoso, o puto mais temido e teimoso E as merdas no principio eram por prazer e por gozo E ent�o um primo mais velho influencia-o a vender drogas dentro da escola Muita massa 'tava a ver, do nada a aparecer Mas p'ra quem nada tem � s� aceitar e querer Ent�o aproveitava e dava ganzas aos colegas mais chegados Punha-os todos os dias ganzados p'ra que eles gostassem dele E a cada dia que passasse esquecerem da cor da sua pele [Verso 2] A escola foi um gozo e n�o surtiu efeito Adolescente agora � feito, com um corpo atl�tico perfeito Tentou ser futebolista, ya O puto treinava o dobro mas o treinador era racista E tudo fez p'ra que esse sonho n�o visse a luz do dia Com a revolta a sufocar, mais uma vida se transformaria Como j� conhecia o mundo da droga, uma dose comprou E a sua sorte africana na tuga tentou Mas sabes como �, todo mundo te topa Preto em �frica � visto como bandido na Europa Como diziam os freestyles dos rapper's que faziam fluir Rimas aos ouvidos de Pedro que admirava-se com a verdade a sair Das bocas dos putos que n�o viam a vida a sorrir As suas conex�es fizeram o efeito surtir Sem pensar nas consequ�ncias era s� desatar e rir O neg�cio cresceu com massa grande a surgir E a b�fia gosta disso, por isso ainda n�o atrofia Ajuda a espalhar a droga no gueto e desafia Deixando traficar �-vontade, mas pede a sua fatia E como se n�o bastasse, era sempre a maior fasquia Mas quando precisa demostrar servi�o Nada como prender e bater num preto at� quase morrer Foi assim que Pedro atr�s das grades foi aparecer Safou-se passado uns anos, j� com uns trinta e tal Sai a procura de trabalho em todo o Portugal Mas hoje em dia ex-criminosos S�o vistos pela sociedade como bichos contagiosos Por consequ�ncia nunca s�o reinseridos S�o tirados da jaula e logo a seguir esquecidos Atirados a sua sorte, na merda largados, perdidos Nas ruas agressivas, competitivas, sem perspectivas Morren todas as expectativas E as do Pedro tamb�m foram atacadas por larvas corrosivas Vive angustiado, e o mais novo Jo�o, tamb�m j� est� no crime Seguiu-lhe as pegadas, e agora se exprime Quando o gatilho na cara d'um b�fia comprime [Verso 3] O puto conectou, d'um plano falou Contou que surgiu a fezada p'ra dar a banhada A uma joalharia recheada com mat�ria pesada Visitada pela ricalhada, parecia uma ganda cagada Pois ela estava situada num local dificil de acesso Ao carro de patrulha da b�fia, o processo Seria gamar s� o que se estivesse a m�o e bazar Informou-se que o alarme da loja est� ligado a esquadra, ah Mas j� � tarde quando ladra, n�o h� dica Porque a b�fia demora bu� a chegar � s� vidros quebrar, o que est� na montra catar E tirar o p�, � improv�vel a b�fia alguma cena apanhar Mas n�o foi isso que aconteceu meu A senhora ambi��o apareceu, a porta bateu Quando a cabe�a de um dos parceiros subiu Logo que vidro partiu e caiu, o gajo saltou p'ra dentro da loja E cagou em quem o chamou, ningu�m o abandonou Iam nisso juntos at� ao fim e o cabr�o ainda pressionou Assim uma neblina o terreno da loja cobriu A b�fia das sombras g�lidas surgiu E colocou, n�o se conteve, atirou e acertou Pedro correu, ser� que puto Jonnhy escapou ? Resposta, n�o, foi um dos muitos que tombou Pedro correu porque n�o queria voltar p'ra pris�o Ainda pensou no seu irm�o mas ent�o j� estava no ch�o E assim que soube que estava deitado, admirado pensou Como � que escapei n�o fui catado ? Como a sua cota dizia: "ch�! n�o fui mesmo apanhado" Mas quando abriu bem os olhos viu que foi baleado Apenas se safou porque acordou do outro lado Longe do toque do seu corpo agora no ch�o atirado Com um b�fia a cuspir-lhe, pois ainda n�o foi tapado Assim pode estar a acontecer, uma m�e j� cheia de dores em casa a prever E sentir a dor dos seus dois filhos a morrer Este quadro capitalista que te mostra uma imagem Nesta sociedade deserta onde tudo n�o passa duma miragem
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Credits
- Writers
- Bob Da Rage Sense